domingo, 8 de fevereiro de 2009

Manhã de domingo...

A chuva continua a cair lá fora...
E aqui dentro, uma tempestade inunda meu coração. Sentado ao piano, esboço pequenos ruídos na intenção de conseguir compor algo "audível"...

E o telefone não toca.

Mesmo que feche os olhos e me transporte para um mundo completamente diferente, um mundo meu, não há nada que me faça desviar os olhos deste aparelho...
Aparelho este inventado no final do século XIX com a missão de encurtar distâncias... de unir as pessoas, trazer para mais perto aquele que está tão distante...
E mesmo assim, consegue construir uma parede de silêncio quando está mudo.

Sinto meus dedos dançando pelas teclas.... tentando exorcizar todos os demônios criados pela minha alma inquieta. Como obtenho a paz? Como posso conseguir equilibrar a harmonia que meus dedos produzem com o caos que minha alma alimenta?

Impressão ou não, as notas parecem acelerar... a música toma contornos melodramáticos... irreconhecível a um minuto, agora está num crescendo imenso... toda essa angústia e frustração encontra uma maneira de sair....

Será que o telefone está mudo? com algum problema?

quanto tempo estou aqui? minutos? horas?

Uma vida?

meus dedos conduzem uma variação tão forte que não sou capaz de repetir as mesmas notas tocadas.... ora suave, ora turbulenta, o piano consegue expressar em som o grito que silenciosamento dou....

Sozinho.... casa vazia, porém repleta de som.... e cada uma das teclas soa como palavras ditas na noite de ontem....

Ontem.

Que somos senão meros caçadores de emoções?

Ontem.

Uma palavra não dita. Um gesto dado no momento errado. Um olhar ao vazio e este telefone que não toca.

Odeio telefones.
Odeio esperar. odeio toda essa angustia que me faz compor as músicas mais sentimentais que já fiz. Odeio sentir como um condutor nessa relação entre meu coração e o piano. E meus dedos continuam nessa dança frenética. Como se a cada momento não estivesse mais ao piano, mas diante de ti. Tocando-te e produzindo assim a música mais linda que eu já poderia compor....

E, num momento de distração, fecho meus olhos.
Assim, numa violência arrebatadora, me surges com seu vestido xadrez rodopiando em minha frente. Sob essa maldita música que resolveu ilustrar essa cena.

Música essa que silencia abruptamente ao som do telefone....

- Alô?!?!?!

Um comentário:

  1. "Uma palavra não dita. Um gesto dado no momento errado. Um olhar ao vazio e este telefone que não toca."
    Ou somos a palavra dita, um gesto dado com muito carinho no momento certo, um olhar cheio de amor e felicidade... e eu odeio telefone. hahahaha Não o odeio simplesmente porque as vezes eu espero telefonemas, é porque ele toca muito, me irrita o barulhinho da campainha dele. GRRRH!!!
    E essa angústia de esperar pelo telefone é boa. É ruim quando ele não toca. É a mesma coisa quando você combina com alguém especial pra sair, você chega ao lugar primeiro e a outro pessoa demora a chegar. Você parece o Chapolin Colorado, com as antenas ligadas, olhando pra todo mundo e fazendo coisas erradas, ou nem fazendo coisas, porque a angustia é tão forte que ela toma conta de você e as pernas começam a se mexer. É uma boa coisa ruim do lado bom da vida. [??????]
    Sobre o nick... deve ser alguma coisa da sua configuração aqui do blog. ;O
    Creio eu né??? =B
    Beijãããoooo ^^

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