quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Na natureza selvagem...





“Sinto todo o meu corpo deitado na realidade, sei a verdade e sou feliz”.
(Alberto Caeiro)


Pense no que é liberdade. Se distanciar do poder e da mentira
vã do dinheiro, deixando prevalecer uma potência sentimental do
encontro do homem com seu verdadeiro estado natural, sem
vínculo, direção e possessão?


Agora, em uma linguagem prática, se pergunte: Você abandonaria (de verdade) a
zona de conforto em que vive, deixaria sua casa com piscina, tiraria seu notebook e iPod
da mochila pra colocar livros e roupas e seguiria para longe, sem
dinheiro, identidade, sem avisar seus pais ou dar uma balada de
despedida pros amigos, e sem seu carro automático, porém a pé, só para poder encontrar sua essência natural?

Christopher McCandless sim.

No final da década de 80 e início dos anos 90, depois de sua formatura aos 22 anos, Chris doou sua poupança, abandonou sua família, seu carro, destruiu sua identidade, seus cartões de crédito e seguridade, queimou o que lhe sobrou de dinheiro e partiu em busca daquilo que considerava sua liberdade.

Queria provar, assim, que o ser humano precisa de pouco para viver.

Sem dinheiro, viajou por dois anos pelos lugares mais belos e inóspitos da América, trabalhou daqui e dali, conheceu pessoas que se afeiçoaram a ele, e partiu para um plano sonhador: ir para o Alasca onde pretendia viver em meio à natureza por sua conta e risco.

Uma história real.

O que McCandless estava determinado a conseguir em sua vida como andarilho e sua
dominação durante sua emersão no Alasca, foram questões que instigaram o escritor Jon Krakauer na época. Jornalista que também teve um período de isolamento e questionamento na juventude, Krakauer pesquisou a aventura e refez o difícil percurso do rapaz pelos EUA, entrevistou as pessoas com quem ele cruzou, nas quais deixou impressões profundas, e
examinou as pequenas sortes e azares que culminaram num fim. A fascinação foi transformada em um livro (Into the Wild) que identifica em Christopher um idealismo e
uma coragem ilimitados na busca por seu argumento de pureza: uma alma na natureza selvagem.

Dirigida por Sean Penn, esta adaptação do livro para o cinema, Na Natureza Selvagem, materializa o espírito que moveu Christopher McCandless, seus ideais que passam por conceitos desenvolvidos por beatniks, budistas, epicuristas e tantos outros que crêem na
felicidade e liberdade, porém longe da realidade vivida pela maioria. Visam um mundo além das forças materiais e metafísicas, numa evidente conciliação com o natural e
primitivo, de onde o homem surgiu.

O filme ainda convém em mostrar o que tanto inspirava Christopher, livros de Jack London e Henry Thoreau, grandes romancistas da vida selvagem.

O roteiro também é assinado por Sean Penn, que se guiou tanto pelo livro quanto por suas pesquisas e visões ao refazer todo o percurso da viagem. O roteiro, assim como o livro, mostra o jovem como um herói, utópico e, paradoxalmente, real. Há uma empatia gigante no
filme compartilhada por todos. É o fato de o ser humano ter seus desejos e reflexões cada vez mais esmagados por uma realidade que não dá espaço para simplesmente ir embora.

A fotografia do longa enfatiza a relação homem e natureza, assim como a trilha sonora, de Eddie Vedder (Pearl Jam) composta especialmente para o filme, que reproduz com acerto o intimista e o rústico das cenas. São músicas e imagens que formam exatamente o que a grande angular de McCandless assimilou. Uma câmera que explora todas as possibilidades visuais, acompanhando Chris, seus gestos, seu olhar e sua alegria, tão de perto, num tom às vezes quase documental.

O que impressiona no jovem andarilho é sua determinação, força física e sentimento para
estar sozinho, sem vínculos, sem cronogramas. Sua rebeldia não está apenas na vontade de trilhar um caminho menos convencional ou em se negar a obedecer aos parâmetros da sociedade em geral, mas na sua entrega ao acaso, deixando a alma se recolher ao primitivo. Chris, ao se negar planejar seu caminho, deixa de ser um aventureiro, esportista, atlético e bem programado dos dias de hoje, que corre maratona cercado de água ou que escala montanhas guiado por GPS. Chris não tem nem mapas e nem comunicação.

Apenas livros.

A América já sonhou com um mundo assim, no qual o verbo "ser" sobreporia o verbo "ter". Mas a visão que se faz hoje em dia não convém em ser assim, utópica, em meio a um passado que pesa sobre qualquer sonho e revolução. Uma sociedade que não colhe aquilo que se dispõe às margens.

Mas há uma prosperidade no mundo. E a lógica fez a espécie avançar: o acúmulo de técnica,
de conhecimento e de estratégia. Chris, já instalado em seu destino, o Alasca, não usa mapas. Se não os tivesse rasgado, saberia que poderia ter cruzado em outro ponto um rio que sepôs como obstáculo. Sem sabê-lo, teve de estender sua estada no local até sucumbir a um trágico e melancólico fim.

Ao abandonar a vida que é familiar a nossa, Chris dá espaço ao nascimento de Alexander
Supertramp. Um renascer seu, uma epifania que se autonomeia, uma nova forma de respirar. Assim se divide o filme, nos estágios da vida de Alexander: do início ao amadurecimento e, enfim, o adulto. Este, que já coleciona certa visão angular e conhecimento, descobre
hoje o que as primeiras vivências no mundo retrataram depois, na forma da civilização atual. O que se sucede a um jovem sonhador em busca de respostas quando, depois
do tempo lhe dizer adulto, enxerga na sabedoria da experiência que não adianta mais de nada questionar?

Se não está em sociedade, está sozinho. Suas idéias, conhecimentos, histórias, sentimentos são só seus. E assim, na total vastidão e liberdade geográfica, Chris se vê preso. E esboça uma resposta: “a felicidadesó existe se for compartilhada”.

Mesmo que essa definição chegue tarde demais...

Justiça seja feita...

Pra não queimar a língua, tambéme fiquei todos esses dias sem escrever por aqui...

Carnaval



E mais um Carnaval está oficialmente sepultado.
É engraçado como o país para por completo neste feriado.
Domingo fui comprar algo para comer e, chegando na padaria mais próxima, percebi que não havia nada de "diferente"... Apenas o tradicional "pão francês" (ou pão de sal, ou outras denominações regionais que ele possui). Perguntando pra guria do atendimento quando iria sair outra fornada de pães doces e derivados, ela simplesmente me disse (com aquele ar lacônico):
"hã? pão doce? meu amigo, hoje é carnaval!!!"

Este foi apenas um exemplo minúsculo. Sem mencionar as revistas e jornais que vieram com um quarto de seu tamanho tradicional (matérias de sexta, claro) e as inúmeras reprises que abasteceram a tv nesses dias (teve canal que, sem cerimônia nenhuma, programou tudo na sexta-feira e deixou rolando no feriado inteiro).

Sem contar que teve muita gente ontem dizendo que, agora finalmente o ano começou.
Agora?
Mais de 50 dias depois do "início de mentirinha"...

O Brasil me encanta cada vez mais....

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Pequenas coisas para falar do universal




Os créditos iniciais já avisam: o filme é baseado numa história real, que só poderia ter acontecido por culpa do destino, nesse caso, uma enorme falta de sorte. Mais um representante da nova safra do cinema latino-americano, O Banheiro do Papa, comprova a participação do Uruguai nessa geração que tem chamado a atenção.

1988. A incrível história começa poucas semanas antes da visita do papa João Paulo II a Melo, cidadezinha uruguaia que faz fronteira com o Brasil. Um furor é causado na população, mas tamanha comoção vai além da religiosidade. Dizem que a visita atrairá 20 mil brasileiros ao lugar. Ou mesmo 40 mil. 60, dizem alguns. Uma oportunidade única para seus pobres habitantes, que tentam suas melhores idéias para ganhar dinheiro com os fiéis que peregrinarão até lá. A esperança de uma vida melhor, possível em um só dia de visita, faz com que a maioria use toda sua economia comprando comida ou lembranças para vender no dia da missa.

Beto, um dos moradores, vive dificilmente contrabandeando produtos brasileiros. Ele atravessa a fronteira até duas vezes ao dia de bicicleta velha, carregando porcarias e fugindo dos oficiais aduaneiros. Enquanto toda gente decide montar barracas de salgados a lingüiças para alimentar os brasileiros enquanto o papa discursa, Beto, numa epifania, imagina que tanta comida há de seguir seu caminho inevitável. Seu plano: construir um banheiro. E lá vai o personagem arrumar dinheiro para os blocos, canos, porta de luxo e, por fim, um vaso. Mas esse ele vai buscar ali, rapidinho, do outro lado da fronteira.
Tanta expectativa pela vinda do Papa foi causada pela mídia local que divulga uma quantidade absurda de turistas esperados. Quando a expectativa é muita, a decepção acaba sendo maior. A busca desenfreada do protagonista acaba gerando conflitos maiores em sua vida. E a quantidade de brasileiros peregrinos, quem diria, foi mínima.

O filme apresenta uma narrativa envolvente por sua temática, estética e desempenho dos atores. Com uma câmera que balança bastante em torno dos personagens e fornece a eles um olhar extremamente carinhoso e delicado, O Banheiro do Papa é um filme comovente pela rápida identificação que obtém com o público. Outro mérito é, em vez de partir para o simples dramalhão, trata o tema de maneira leve, ora hilariante, ora triste. Suas sutis observações sobre a fé, o capitalismo, a sociedade e a mídia não parecem nunca lições de moral.

Há algo de metafórico nesta visita do Papa (este agente do mundo desenvolvido e iluminado) que provoca tanta expectativa na população local, um sonho destinado ao fracasso desde o momento em que surge. Os diretores abandonam qualquer discurso de fundo antropológico e se dedicam a simplesmente encenar. Há um espaço para manifestação do popular: casas apertadas, velhas e feias, cômodos sem porta e chãos de terra batida. Por mais que se tente dar brilho ao sonho, há algo naquele estado de pobreza e dificuldade que é impossível ignorar. Visto assim, de frente, sem meias-verdades e sets construídos em estúdio, talvez diga muito mais sobre aqueles personagens do que a encenação de seus traços.

Difícil, por exemplo, não receber com um sorriso melancólico a seqüência em que Beto realiza na imagem aquilo que na sua realidade se torna cada vez mais distante: trocar sua velha bicicleta por uma moto. Nesse pequeno momento de fantasia, não há brilho na câmera que baste para expressar a alegria do personagem.

Brilho, assim, só existe este em meio a todo resto nublado e cinza, onde os personagens pobres e tristes ficam em primeiro plano, numa relação direta com a câmera. O cenário se espalha pelo fundo (no caso, pilhas e pilhas de comida nunca comercializada), e um jornalista da televisão, em toda sua miopia social, insiste em dizer que o evento levaria o país e a população de Melo a um “futuro glorioso”.

O filme se faz contemporâneo, do seu tempo, pela evidência da própria imagem, com montagem ágil, fotografia e câmera na mão que a tudo olha, mas com foco nos humanos. Os primeiros minutos nos propõe um certo ritmo, mais lento, com pequenos acontecimentos que acabam sendo grandes para aquelas pessoas comuns. É introduzida a maneira como essas pessoas serão tratadas, o tipo de olhar lançado sobre elas. E é um olhar generoso, que respeita o tempo e a rotina da cidade. Que não esconde os erros do protagonista, mas se concentra em seus acertos. É um olhar que se incorpora ao filme, tornando-se parte dele, não lançando nenhum tipo de julgamento.

Na medida em que a chegada do papa se aproxima, fareja-se a tragédia, com Beto ultrapassando seguidamente a própria medida, fazendo de tudo por um sonho que mostra-se cada vez mais distante. Apesar de terem sido traídos pelo destino, os personagens não se deixam abater. E Beto, que caminhou à beira do abismo, é resgatado, nos deixando sem saber quem é o herói. Se é ele, sua família, a cidade ou, quem sabe, ninguém.

Em um fim que procura timidamente quebrar uma expectativa inicial, se não vemos o êxito estampar nossa face, encontramos um olhar de fracasso pouco freqüente no cinema. Porém aqui não é algo limitador, mas sim propulsor do início de uma nova jornada. Se no resto do mundo não, em O Banheiro do Papa há sim o direito de sonhar e fracassar.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Rapidinhas....

Final de semana foi um período para introspecção...
Acabei não vendo tv, não ouvi música, não li, não entrei na internet, não conversei com quase ninguém.....

Período de fechamento.... fechamento físico, intelectual e espiritual...
E é engraçado como saio renovado de tudo isso......
Livre para compor.... livre para conhecer coisas novas...
Totalmente desprovido de preconceitos....

Pelo menos, por alguns dias.......

:O)

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Engraçada a "guinada" que LOST está dando....
Desculpe-me se alguém acompanha e ainda não viu a 5ª temporada. Recomendo que encerre a leitura por aqui, já que vou abordar alguns dos assuntos novos, que podem ser completa novidade para alguns....

Mas que isso???
Eu que pirava naquela idéia de que estavam todos mortos e os acertos vinham para todos, estou completamente perdido...
Um enredo estranho, com novos personagens e nuances tão incríveis que ninguém imaginaria, na primeira temporada, que chegaria a tudo isso......

Viagens no tempo, personagens secundários com destaque super especial, mortos que voltam a qualquer momento, histórias que se cruzam em épocas distintas....

Sei não...

Ou o final será o final mais espetacular que um seriado já teve, ou corre o risco de ser a coisa mais imbecil que já assisti....

Mesmo assim, conto os minutos pra chegar a quarta-feira.....

Mesmo não gostando de televisão... fazer o que?
Essa minha maldita curiosidade......

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Lady sing the blues so well...

Eeee, autora relapsa resolve aparecer por aqui!

;D


O negócio é que eu até tinha preparado uns posts e tal, só que meu notebook acabou estragando devido a extrema falta de destreza de sua dona. Resultado, vou começar tudo do zero.


Antes de ler os posts de meu querido parceiro por aqui, vou falar sobre uma artista que eu adoooro e que conheci por acaso, na internet: Regina Spektor.

Não vou falar sobre um trabalho específico, mas sobre o "conjunto da obra". Artista fundalmentamente independente, da cena anti-folk nova iorquina, ela tem um estilo de música que parece seguir sentimentos, e não a lógica ou a harmonia. Algumas são praticamente impossíveis de se prever, algo perigoso, já que afasta ouvintes mais convencionais, mas por outro lado as canções dela são um sopro de "coisa nova" no meio de artistas que são muito bons, mas parecem escrever sempre as mesmas músicas.


As canções de Spektor são basicamente piano e voz (muito embora o último trabalho, Begin to hope, que contém o hit novelesco "Fidelity", tenha uma presença marcante de outros instrumentos, desde violinos a música eletrônica). Algumas músicas, em especial nos primeiros trabalhos, chegam a ter apenas a voz da cantora, que diga-se de passagem, é o melhor instrumento dela. Audaciosa, natural e verdadeira.


As letras são um show a parte. São na maioria confissões ou histórias caóticas, mas todas perfeitamente possíveis de ser imaginadas num apartamento de uma metrópole qualquer (mas pra manter o charme, digamos assim, tente imaginar NY). A mistura de culturas (judeus, russos e americanos) parece contribuir para a profusão de estilos, nunca se prendendo a um só.


Fica a sugestão. Nem todo mundo vai gostar, mas quem gostar, vai gostar demais.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Manhã de domingo...

A chuva continua a cair lá fora...
E aqui dentro, uma tempestade inunda meu coração. Sentado ao piano, esboço pequenos ruídos na intenção de conseguir compor algo "audível"...

E o telefone não toca.

Mesmo que feche os olhos e me transporte para um mundo completamente diferente, um mundo meu, não há nada que me faça desviar os olhos deste aparelho...
Aparelho este inventado no final do século XIX com a missão de encurtar distâncias... de unir as pessoas, trazer para mais perto aquele que está tão distante...
E mesmo assim, consegue construir uma parede de silêncio quando está mudo.

Sinto meus dedos dançando pelas teclas.... tentando exorcizar todos os demônios criados pela minha alma inquieta. Como obtenho a paz? Como posso conseguir equilibrar a harmonia que meus dedos produzem com o caos que minha alma alimenta?

Impressão ou não, as notas parecem acelerar... a música toma contornos melodramáticos... irreconhecível a um minuto, agora está num crescendo imenso... toda essa angústia e frustração encontra uma maneira de sair....

Será que o telefone está mudo? com algum problema?

quanto tempo estou aqui? minutos? horas?

Uma vida?

meus dedos conduzem uma variação tão forte que não sou capaz de repetir as mesmas notas tocadas.... ora suave, ora turbulenta, o piano consegue expressar em som o grito que silenciosamento dou....

Sozinho.... casa vazia, porém repleta de som.... e cada uma das teclas soa como palavras ditas na noite de ontem....

Ontem.

Que somos senão meros caçadores de emoções?

Ontem.

Uma palavra não dita. Um gesto dado no momento errado. Um olhar ao vazio e este telefone que não toca.

Odeio telefones.
Odeio esperar. odeio toda essa angustia que me faz compor as músicas mais sentimentais que já fiz. Odeio sentir como um condutor nessa relação entre meu coração e o piano. E meus dedos continuam nessa dança frenética. Como se a cada momento não estivesse mais ao piano, mas diante de ti. Tocando-te e produzindo assim a música mais linda que eu já poderia compor....

E, num momento de distração, fecho meus olhos.
Assim, numa violência arrebatadora, me surges com seu vestido xadrez rodopiando em minha frente. Sob essa maldita música que resolveu ilustrar essa cena.

Música essa que silencia abruptamente ao som do telefone....

- Alô?!?!?!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Análise...

Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Começa tudo de novo.....




Hoje começam as aulas... Pelo menos pra mim...
E este é o meu último semestre no período matutino. Semestre que vem, as coisas se inverterão: trabalharei pela manhã e estudarei a noite.
Normal... como todo mundo.

E a apreensão é grande aqui com o trote.Como aqui é uma faculdade para pessoas com alto poder aquisitivo (não é fácil uma faculdade com mensalidades de R$ 2.200,00), os "veteranos" fecham as ruas próximas e fazem um verdadeiro carnaval. Regados a muita bebida e música. Sem falar nos trotes tradicionais, que envolvem tinta, farinha e muito constrangimento...

Não estou participando... Talvez por estar trabalhando agora. Talvez por preferir estar dormindo a esta hora... Mas acho que o trote deveria ter um cunho mais social.

Se o que gastam com festas e "eventos" aqui nessa faculdade fosse revertido para uma creche.....

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Assisti a "O Cavaleiro das Trevas" neste final de semana.
Tá. Sei que todos já viram. Alguns, pelo menos, umas três vezes.
Achei sensacional (tá. eu sei que a essa altura do campeonato, comentários assim estão batidos).
seria "mais do mesmo", comentar a atuação do Heath Ledger. Ele conseguiu transformar uma figura tão soturna e humana como o Coringa no que realmente é (Adoro o Jack Nicholson, mas sempre achei aquela atuação dele muito afetada). O que mais angustia neste novo Coringa é que ele parece aquele lado obscuro de cada um, que pode florescer a qualquer momento. Sensacional.
Gostei também do Christian Bale, embora o papel do Batman neste filme seja meio que "deixado em segundo plano". Afinal, pelo pouco que acompanhei quando menino, "o cavaleiro das trevas" mostra exatamente a dificuldade que um homem transtornado por fantasmas antigos consegue manter uma "ética branca". E o quanto essa loucura incubada afeta no desenrolar de uma cidade sombria.
Agora... Aaron Eckhart... Karaleo (mudei a palavra para que soe menos repugnante)!!! Quase ninguém comenta sobre ele, mas que atuação foi aquela? Paralelo a toda a história, vemos o nascer de um dos personagens mais enigmáticos dos quadrinhos. A prova de que todos somos éticos e pregamos o bem universal, até que algo nos atinja. Nos queime por dentro. Nos afete. Pregamos a paz universal, os mandamentos e o amor mas somos os primeiros a apedrejar alguém que nos atinja.
Isso acontece a todo momento, em qualquer lugar. Basta que alguém atinja o seu mundo.
Apenas o ódio, a ignorância e a indiferença conseguem provocar ondas em nosso mar sereno.

Todos temos, pelo menos, 50% de possibilidades...
Sempre!!


Em tempo: há dois posts, comentei sobre a música "Diamonds and Rust".
Pois um detalhe importantíssimo sobre a mesma acabou ficando de fora, o que deixou aquele post meio "bambo"...
Esta música foi feita pela Joan Baez sobre o fim de seu relacionamento com (nada mais, nada menos) Bob Dylan.
Pois é...

E sim... eu tenho uma garrafa de vinho guardada para momentos especiais....
E sim... eu tomei uma taça, como sugeristes.
:O)


Em tempo2: Post escrito às sete e meia da manhã... mas não sei quando vou conseguir publicá-lo...